Metrô e CPTM têm um caso de assédio sexual a cada dois dias, diz levantamento

Foram 156 casos de janeiro ao final de setembro. Estação Sé é a que teve maior número de casos, com 25 ocorrências. Maioria acontece no período da manhã.

Por Josemar 10/10/2017 - 12:50 hs

Um levantamento obtido pelo SP1 via Lei de Acesso à Informação aponta as estações do Metrô e da CPTM registraram denúncias de 156 casos de assédio sexual contra mulheres de janeiro a setembro, o que dá quase um caso a cada dois dias (considerando apenas os casos denunciados pelas mulheres). A maioria aconteceu no horário pela manhã.

A estação com o maior número de casos é a Sé, por onde passam por dia 600 mil pessoas. Só este ano foram 25 ocorrências de assédio registradas na Sé fora e dentro dos vagões. Em seguida aparecem a estação do Brás (13 casos), Palmeiras-Barra Funda (8), Pedro II (7) e Santo Amaro (7).

"As pessoas aproveitam, né, vê que tá tudo aglomerado. Aproveita a situação e faz alguma maldade com as mulheres. Então acho que precisa de mais policiamento, mais guarda na região do metrô, no vagão. Acho que deveria ter pelo menos um em cada vagão", diz Juliana Souza, professora de zumba.

O Metrô diz que tem colocado, além de guardas unifromizados, funcionários descaracterizados para vigiar os vagões e as plataformas como forma de inibir o assédio.

"Todos os empregados do Metrô são treinados pra fazer o acolhimento dessa vítima. Toda a estação do Metrô tem empregado do sexo feminino que faz o acolhimento dessa vítima. E na ocorrência sempre colocamos um agente do sexo feminino pra fazer a condução", diz Rubens Menezes, chefe de segurança do Metrô. "A gente tem um alto índice de prisão. Basta que a vítima denuncie e aponte e a gente tem essa condição de fazer."

Dos 156 casos, a grande maioria (135) foram registrados como "importunação ofensiva ao pudor" (artigo 61 da Lei de Contravenções Penais), que tem como pena prevista apenas o pagamento de multa. Outras 14 aparecem como ato obceno (artigo 233), que prevê pena de detenção de três meses a um ano ou multa. Apenas quatro casos foram registrados como estupro (artigo 213), que prevê prisão de três a oito anos ou, no caso de a vítima ser menor de 14 anos, de seis a dez anos de reclusão.